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11 de janeiro, 2010

O teatro da vida

As experiências e os ensinamentos de quem dedicou a vida às Artes Cênicas.

Por Otávio Fernando Lopes

Enio Vermelho Jr.

 Fiani_entrevista “Você não se importa que eu grave?” _ “Não. Eu prefiro. Fica mais fácil pra você”, risos. Sempre com bom humor, João Luiz Fiani, Ator e Diretor teatral, completando 30 anos de carreira, ainda leva consigo o carisma de um estreante.

Fiani é praticamente sinônimo de teatro em Curitiba, e o teatro é sinônimo de existência em sua vida, “O teatro me mantém, o teatro é minha vida, acho que hoje eu não consigo viver sem estar fazendo teatro”. Aos 46 anos de idade, se empolga ao relembrar a primeira estréia nos palcos, em 1979, e confessa que a experiência do palco é sempre como uma nova primeira vez.

Em sua extensa carreira, que começou no Curso Permanente de Teatro, realizado no teatro Guairá até a década de oitenta, Fiani realizou trabalhos no rádio, na televisão e no cinema. Destacou-se em curtas como “Agora é que são elas”, e “Balada do Vampiro”, ambos de Beto Carminatti. Com este último, ganhou o prêmio de melhor ator no III Festival Latino de Curtas, em 2007 no Ceará.citacao1 Porém, parece ter nascido mesmo para o teatro, “Eu tenho preguiça da televisão. Eu não tenho preguiça de trabalhar na televisão, tenho preguiça de esperar. Tudo depende muito da parte operacional, a câmera, a composição, etc. A parte do ‘gravando’ é legal. Marcelo Mastroiani mesmo diz que em seus 50 anos de carreira, encenou apenas 25. No teatro não é assim”.

Seu amor pelo teatro não se restringiu somente a subir em palcos e encarnar personagens, fossem eles de comédia ou trágicos. O ator acabou se destacando também como um ótimo escritor, e com quase 90 peças de sua autoria se destaca como um dos maiores teatrólogos do país, e para si, este é seu maior legado, “O teatro é efêmero, não é como o cinema que daqui a 50 anos você assiste ao mesmo filme, aos mesmos atores. No teatro o que permanece são os textos”. Um exemplo de seu trabalho é o texto “Quem matou Agatha Cristie”, que ganhou o prêmio Poty Lazarro/Café do Teatro em 1997.

citacao2 Na carreira, Fiani teve a oportunidade de contracenar com vários artistas que se destacaram no teatro nacional, como Eddy Franciosi, Ivone Hoffmann, entre outros. A essa amizade e respeito, o diretor tornou-os públicos ao inaugurar em 1994 o Teatro Lala Shineider, cujo nome é homenagem a amiga e, como ele mesmo diz, “a um dos mais destacados talentos de nossa terra”. Posteriormente, em 2004, inaugurou também o espaço teatral Edson D’Avila. Também homenagem ao antigo companheiro de trabalho.

Recentemente, João Luiz Fiani foi homenageado da mesma forma que fez com os velhos amigos. Um novo espaço teatral no shopping Novo Batel foi inaugurado com seu nome. Muito lisonjeado, comentou qual a emoção que sentiu pela homenagem. “O fato de ter um teatro com meu nome é uma situação diferente, é uma sensação diferente, é uma espécie de recompensa pela minha dedicação, produção, pela classe teatral, enfim, pelos meus 30 anos de profissão”.

Hoje, Luiz fiani além de inovar-se artisticamente, busca passar para as centenas de alunos que freqüentam suas aulas, toda sua experiência, sensibilidade e imaginação exatas do artista contemporâneo. E para quem pensa que o ator parou por aí, ele revela seus sonhos, “O que mata uma pessoa não é doença, não é problema, o que mata uma pessoa é ela não sonhar mais. Eu sonho. Posso dizer um deles que é, se eu pudesse, construir um centro cultural, colocando teatros, salas de ensaio e projeção, bibliotecas, circo, dança, e tudo o mais que é relacionado às Artes Cênicas. Este é meu sonho, um grande centro de Artes Cênicas para nossa cidade e estado”.

Ao final, o ator despede-se e segue seu rumo. O personagem volta para sua vida. Lá, revela-se um Fiani a cada peça, um ator a cada palco, uma vida a cada personagem. Hoje a noite é sua “estréia”, sua “primeira atuação” como personagem principal da Casa do Terror, que apresenta a mais de dez anos.



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